A modernização brasileira e o nosso pensamento político

Rubem Barboza Filho

Resumo


Este texto é o desenvolvimento, ainda preliminar, de uma hipótese que atribui o déficit democrático das grandes “linhagens” do pensamento político brasileiro à percepção da permanente necessidade de ruptura com o passado. Para as elites fundadoras do país, esta percepção traduzia-se no projeto de esquecimento da tradição dos três primeiros séculos de nossa história, criada pela linguagem dos afetos, e de sincronização do Brasil com o Ocidente tido como moderno e movido pelas linguagens da razão e do interesse. Para as elites posteriores, políticas ou intelectuais, este imperativo de ruptura tornou-se moeda comum, tanto em relação ao passado mais longínquo quanto aos períodos imediatamente anteriores. A hostilidade em relação à tradição e ao passado – e o desconhecimento das potencialidades democráticas da linguagem dos afetos – cristalizou entre nós uma pesada herança intelectual, nem sempre perceptível: a indiferença intelectual diante do sacrifício de gerações e gerações de brasileiros, guiados pela linguagem dos afetos, em nome da construção de uma sociedade futura, entendida como plenamente moderna e comandada pelas linguagens da razão e dos interesses.

Palavras-chave


Modernização; Pensamento Político Brasileiro; Linguagens do pensamento ocidental; Sentimentos; Razão; Interesse;

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E-ISSN: 1984-0241
ISSN: 0101-3459